| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Aves |
| Ordem: | Passeriformes |
| Subordem: | Passeri |
| Parvordem: | Passerida |
| Família: | Troglodytidae |
| Swainson, 1831 | |
| Espécie: | C. arada |
O uirapuru-verdadeiro é um passeriforme da família Troglodytidae.
Também conhecido como corneta, músico, músico-da-mata, irapuru, uira-puru e uirapuru.
O uirapuru é mencionado em diversas lendas amazônicas, canções folclóricas, populares e eruditas. Entre elas, destacam-se: 1. Uirapuru interpretado por Sérgio Reis;
Uirapuru, uirapuru Seresteiro, cantador do meu sertão Uirapuru, uirapuru Tens no canto as mágoas do meu coração
A mata inteira fica muda ao seu cantar Tudo se cala para ouvir sua canção Que vai ao céu numa sentida melodia Vai a Deus em forma triste de oração
Uirapuru, uirapuru…
Se Deus ouvisse o que te sai do coração Entenderia que é de dor sua canção E dos seus olhos tanto pranto rolaria Que daria para salvar o meu sertão
Uirapuru, uirapuru Seresteiro, cantador do meu sertão Uirapuru, uirapuru Tens no canto as mágoas do meu coração
2. o Poema sinfônico/bailado Uirapuru de Villa-Lobos, composto em 1917. Estreou em 1935, no Teatro Colón em Buenos Aires, como parte da programação de uma viagem oficial do presidente Getúlio Vargas. A obra foi publicada em 1948 e em 1950 foi transformada em filme pelo cineasta israelense Sam Zebba. Contando a lenda do pássaro, o filme foi realizado na amazônia brasileira, junto à tribo indígena Urubu. A obra possui 4 movimentos: I - índio bonito, II - índia caçadora, III - índio feio e IV - índias. “Uirapuru” é das primeiras obras-primas de Villa-Lobos, e dá início a uma linguagem orquestral tipicamente villa-lobiana. A partitura retrata o ambiente da selva brasileira e seus habitantes naturais - os índios -, com uma impressionante riqueza de detalhes. O argumento que serviu de base para a composição desse poema sinfônico é de autoria do próprio autor, e conta a história de um pássaro (o uirapuru, que na mitologia indígena é considerado o 'deus do amor') que se transforma em um belo índio, disputado pelas índias que o encontram. Um índio ciumento, não suportando aquela adoração, flecha-o mortalmente. Ao retornar à sua condição de pássaro torna-se invisível e dele se ouve apenas o canto que desaparece no silêncio da floresta.
3. Uirapuru (das lendas amazônicas) de Waldemar Henrique;
4. Uirapuru - Francisco Mignone
Seu nome científico significa: do (grego) kuphos = corcunda; e rhis, rhinos = nariz, bico; e de arada = nome ameríndio para esta espécie de “corruíra cantora”. ⇒ Corruíra cantora com bico curvo.
Mede cerca de 12,5 centímetros de comprimento e pesa entre 18 e 24 gramas.
A subespécie nominal apresenta a face, testa e parte frontal da coroa de coloração castanha, tornando-se marrom-acastanhado na porção traseira da coroa até a nuca de coloração escura. Apresenta uma estreita estria pós-ocular de coloração esbranquiçada. A garganta e a região superior do peito são castanhas e as laterais do pescoço cobertos com estriado longitudinal branco. O ventre e os flancos são cinza pálido. Baixo ventre e crisso de coloração acastanhada. O dorso e o uropígio são marrons. Asas e cauda são de coloração marrom-acastanhada da mesma cor do uropígio e também apresentam estreito barrado preto. A cauda é curta e inclinada.
As íris são marrons e a pele nua ao redor dos olhos é azulada. A mandíbula superior olivácea escura e a mandíbula inferior é clara com a base esbranquiçada. Tarsos e pés cinzentos.
Possui oito subespécies reconhecidas:
Desloca-se pulando pelo chão, junto a emaranhados de vegetação, capturando insetos também em folhas. Eventualmente segue formigas-de-correição e, às vezes, junta-se a outras espécies de uirapurus em sua busca aos insetos. Alimenta-se também de frutas.
Faz ninhos cobertos, onde a fêmea põe de 2 a 4 ovos brancos, que se abrem após 15 dias. Os pais se revezam na alimentação dos filhotes. Estes, depois de saírem do ninho, ainda mantêm contato com a família durante algum tempo.
É localmente comum no estrato inferior de florestas úmidas, principalmente na terra firme, mas também em florestas de várzea. Vive aos pares ou em pequenos grupos. É muito famoso pelo seu canto melodioso e agradável, considerado um dos mais belos da floresta. A espécie costuma cantar apenas na época de acasalamento, que é entre meados de setembro a outubro. Canta bem desenvolto apenas 15 ou 20 dias no ano por essa ocasião. No restante dos dias apenas gorjeia ou chama.
O ilustre maestro e compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos compôs, em 1917, uma sinfonia intitulada “Uirapuru”, inspirada no canto dessa ave, cuja sonoridade pode ser percebida ao longo de toda a obra musical, e especialmente nos solos de violino, flauta, oboé e clarinete.
http://www.wikiaves.com.br/midias.php?tm=s&t=b - Foi gravado este canto no mês de fevereiro de 2018, podendo ser tratado como uma anomalia da espécie. Cachoeira da Onça, Presidente Figueiredo - AM.
Presente em quase toda a Amazônia brasileira, com exceção do alto Rio Negro. Encontrado também em todos os demais países amazônicos - Guianas, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia.